Webinário: pesquisadores relatam desafios de desenvolver pesquisa no interior

“Fazer ciência no interior não é fácil, mas não é impossível”. A frase do professor Dr. José Ronaldo dos Santos (UFS) resume bem a realidade de muitos pesquisadores que estão fora das capitais e dos grandes centros urbanos. E foram justamente esses desafios e perspectivas de desenvolver pesquisa, com ênfase na neurociência, no interior do RN que nortearam as discussões do projeto Uern Ciência – Webinários desta sexta-feira, 24.

Além do professor José Ronaldo dos Santos, do Programa de Pós-graduação em Ciências Naturais, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), os professores Dr. Marco Aurélio Freire, do Laboratório de Neurologia Experimental, do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Sociedade da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS), e o Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UERN, Rodolfo Lopes Cavalcanti, relataram as experiências de desenvolver estudos na área de neurociência na região.

A despeito de tantos obstáculos, como o pouco recurso, pouca estrutura e a dificuldade de financiamento, comuns aos campi situados no interior, os pesquisadores destas regiões, como da UERN, por exemplo, têm conseguido desenvolver estudos de qualidade, com grande relevância social. “Temos buscado fazer o máximo com o mínimo”, ressalta Rodolfo Lopes.

Como exemplo, Marco Aurélio relatou sua experiência nas pesquisa experimentais com animais. Um dos estudos avalia como o sistema nervoso nervoso reage diante de uma lesão química. A pesquisa utiliza ratos para verificar como se dá o processo de inflamação quando o tecido sofre o dano. Outra vertente dessa linha de pesquisa analisa o processo do cérebro quando ele envelhece.

Uma outra linha de avaliação na área de neurociência está voltada para os seres humanos e se concentra em duas vertentes: entender como uma síndrome que acomete indivíduos interfere no comportamento dos profissionais de saúde em sua vida diária. “Esse momento de pandemia, onde os agentes de saúde estão sendo requeridos à exaustão, é um bom exemplo para ser estudado”, destaca Marco Aurélio. Outra vertente busca avaliar a variação dos indivíduos acometido por Acidente Vascular Cerebral (AVC), a fim de otimizar estratégias para a recuperação e melhoria da qualidade de vida.

Marco Aurélio destaca que muitas das pesquisas são desenvolvidas em colaboração com outras instituições e pesquisadores, como o professor José Ronaldo. “Temos buscado colaborar com a geração de conhecimento, publicar material de qualidade e contribuir para a pesquisa no interior do RN”, frisa.

José Ronaldo enfatiza que fazer pesquisa no interior do RN tem os mesmos desafios da pesquisa no interior de Sergipe ou de qualquer outro estado. Ele relata que mantém estudos no Campus da UFS em Itabaiana (SE), onde o primeiro programa de pós-graduação surgiu há um ano.

O professor estuda em animais as alterações neurológicas de estágios iniciais de parkinson.  Utilizando a lagartixa, ele observa a evolução do sistema nervoso, com ênfase na formação de memória e aprendizados.

Segundo ele, a pesquisa no interior geralmente é viável devido à parcerias com grandes laboratórios. “Não há muita diferença em fazer pesquisa no interior do RN ou em Sergipe. Temos que lidar com a precariedade, a falta de equipamentos, de recursos. Mas, mesmo com todas as dificuldades, é muito prazeroso fazer pesquisa e contribuir com a produção de conhecimento e a formação de novos pesquisadores. É difícil, mas o importante é nunca desistir”, destaca.

Rodolfo Cavalcanti observa que as dificuldades despertam habilidades nos pesquisadores do interior, como a capacidade de se reinventar. “A pesquisa no interior não teria sustentabilidade se não fosse a parceria com os grandes centros. A UFRN, por exemplo, tem sido nossa grande parceira nesse processo de pesquisa do laboratório de neurologia experimental. Aos poucos, estamos conseguindo fazer nossos estudos, publicar artigos, contribuir com a produção de conhecimento para a sociedade e a formação de pesquisadores qualificados”, finaliza.

O Uern Ciência – Webinários é desenvolvido pela Propeg/Uern em parceria com a Assessoria de Governança da Informação e Transparência, UERN TV e AGECOM/UERN. Toda sexta-feira, o projeto promove debates sobre temas específicos relacionados à ciência, tecnologia e inovação.